Quando fui jovem não houve tempo de ser. A primavera florescia aquém de minhas mãos. Tudo é possível, quando se é jovem, mas impossível, porque se é jovem. Hoje vejo a mesma estação florescente perto de mim. Ah, se eu pudesse simplesmente tocá-la! Não me contento sentir apenas o perfume. Tudo passou… Só florescem outros campos, outros vales. A juventude se foi… Breve, breve; nem pude sonhar! Quando chega a noite um vento frio canta La fora, semelhante ao que mora na alma. É inverno na minha vida agora. Não tenho mais vinte anos. Seu frescor ainda persiste na lembrança. Nem posso chorar, choro por outras estações, prestes a chegar. Não se vive uma eterna primavera, sem se dar conta da existência; vive-se depois, ao contemplar no chão, flores secas, folhar murchas. O amor, já não vem tão veloz tudo é real, frio como o inverno. O príncipe com seu cavalo branco para outras estórias juvenis partiu. “As cidades! Até as cidades são outras! Suas arquiteturas já nem são palacetes de princesas. Nem há vasos de flores nas janelas, nem cinderelas!” Os sonhos… Os sonhos lindos de receber poesias, flores, melodias… Foram substituídos por amores mecânicos, tecnológicos e práticos. Mas quando vejo um rosto de menino, sinto o frescor dos anos a passar por mim. Ah, se eu pudesse acariciar novamente a bela juventude!
-Joana Oviedo; ‘A Juventude’ (via caminhosinteriores)
Que nada coração! A tristeza não é por esse amor, a tristeza é pelos caminhos difíceis. Pela vida que se vai sem voltar jamais. Aquele amor já se foi… Difícil foram os caminhos do amor. Foi caminhar com ele. Tenha calma, coração. Os caminhos passam as tristezas também. Somente vêm outras tristezas, outros caminhos; com amor ou sem amor e nada mais.
-Joana Oviedo; ‘O Amor’ (via caminhosinteriores)

andrewmangum:
Calvert Cliffs - Southern Maryland
(via petrificcum)
Exala ternura do interior, faz uma criança dormir, a faz despertar e também sorrir. De graça efêmera, sua melodia e eternidade que ela ouvira pelo resto da vida. No meio da noite faz alguém sonhar: brancos véus, foscas luzes. E de mansinho o poeta adormece, rabiscando, rabiscando… Caixinha de música, ele é a mesma criança que um dia você fez adormecer.
-Joana Oviedo; ‘Caixinha de música’ (via caminhosinteriores)
“Lara Ra Ra…”
Foi a música mais bela que inventei.
“Lara Ra Ra…”
Fala de um grande amor que amei.
Tinha os olhos negros e brilhantes,
Então me apaixonei.
“Lara Ra Ra…
Lara Ra Ra…”
Não falava de sonhos, pois era o sonho
Mais risonho!
Tinha a ternura do amanhecer
Ora o encanto do entardecer,
Ora a calidez do anoitecer.
Não se sabia o segredo de Lara,
Nem o que era era tão bela!
E meu coração canta hoje esta canção:
“Lara Ra Ra… Lara Ra Ra…”
-Joana Oviedo; ‘Canção por Lara’ (via caminhos interiores)
São gotas púrpuras seus versos, arrancadas de um grande desalento. E alma esmagada de tão fundas magoas, são olhos inundados de lagrimas os ventos. Lágrimas de almas a transmitir desejos, luzes pequenina invejando ao lume. Que tristeza, pobre poeta! Resta na primavera, vago perfume. Duma cisma em vãos momentos, tristes dias, arrancam-lhe os versos, no seu caminho longo e incerto. Poeta, poema é simplesmente gotas púrpuras, arrancadas da alma por desalento.
-Joana Oviedo; ‘Gotas Púrpuras[a um poeta]’ (via caminhosinteriores)
Tombam por terras distantes corpos estrangeiros descansam os heróis da vil batalha. Quanto tempo lutaram para defender suas terras, suas gentes. A pátria, não ultrajaram ainda que a última gota de sangue vertida. Canhões cessaram nas encostas, nenhuma flor de cipreste a sepultura perfumada no sonho eterno, a cor da bandeira tremula, saudando um herói estrangeira. Ao longe, ouvem-se choro triste. Junto a si, as últimas notas, num toque fúnebre: El Silenzio.
-Joana Oviedo; ‘El Silenzio’ (via caminhosinteriores)
O coração é um caminho onde florescem lindas rosas ou afiados espinhos. Depende quem por lá passar, e qual semente lançar. Será eterno o que florescer… Estará viçoso a vida inteira em qualquer estação. Se semear canção, quando todas as musicas do mundo lhe fizer chorar, terá acalento para o coração. Se semear amor e partir poderá voltar em qualquer tempo e um jardim achará a florir. Mas se alguém semear a dor e uma dia retornar, dolorosos espinhos estarão à espera do semeador.
-Joana Oviedo; ‘A parabola do semeador’ (via caminhosinteriores)
Quero a poesia da juventude esvaecida em triste primavera. Quero sentir o aroma, mais que a saudade, mais que quimeras. Quero a poesia da mocidade, todas as telas que o tempo esboçou; os amores que foram puro engano. Quero a essência dos meus vinte anos. Ainda que mesmo pálido debruçado ao longo do tempo; quero dos meus vinte anos, mais que saudades… Um alento.
-Joana Oviedo; ‘Essência dos vinte anos’ (via caminhos interiores)
A eternidade não é a some de infinitos anos. Pode ser alguns dias, horas ou minutos. Depende o que se quer e o desejo com que busca. A angústia da espera é a eternidade.
-Joana Oviedo; ‘A Eternidade’ (via caminhosinteriores)
Nas planícies da minha infância havia flores azuis, de todas as cores. Os prados eram verdes como um tapete macio e fresco. Pelas janelas, olhava a chuva da primavera ao entardecer. Via a vida como um horizonte próximo de minhas mãos, e eu podia tocá-lo. Hoje, as planícies são planaltos e distantes. Já não há flores azuis e os prados não mais apresentam um tapete verde e macio. Nas janelas, agora, vejo um inverno cinza. O tempo passa! Como passa! Um horizonte afastando-se à medida que as minhas mãos se estendem para tocá-lo. O tempo é a vida.
-Joana Oviedo; ‘O tempo é a vida’ (via caminhosinteriores)